terça-feira, 21 de julho de 2009

JOÃO CALVINO

Educação e Preparação. 

No dia 10 de julho de 1509, nascia João Calvino de Noyon, filho de Gerard Cauvin e Jeanne de La Franc, casal distindo e ilustre, bem relacionado social e politicamente. Batizado na tradição católica, teve como padrinho Jean Vatine, cônego da Catedral em Noyon. 



Foi educado sob orientação pedagógica de Marturin Cardier, um dos mestres do latim na sua época, no Colégio de La Marche, em Paris. Mais tarde foi transferido para Montaignu, atendendo aos propósitos de seu pai, que desejava fazer de Calvino um clérigo. Em 1528, com 19 anos, deixa o colégio e Paris. 

Gerard Cauvin, decide então mandar Calvino para Orleans, a fim de estudar Direito, o caminho mais seguro para a fama e a fortuna. Se destaca pela sua inteligência e brilhantismo, deixando Orleans antes de completar o curso, mas a Academia lhe confere o título de Doutor, pôr serviços prestados, segundo alguns dos seus biógrafos. Foi monitor da disciplina em várias ocasiões, tendo oportunidade de tomar contato com o mundo da antiguidade clássica, tendo sido tutelado pôr Melchior Wolmar no estudo do grego. 



Seu pai, Gerard Cauvin, morre em 1531, tendo Calvino se desobrigado do estudo do Direito, passando à literatura clássica. Em Paris, em 1532, publica o seu primeiro livro, uma edição do livro de Sêneca intitulado "Sobre a Clemência", completada com um apartato textual e um longo comentário. 

A Conversão. 

Supõe-se que sua conversão ao protestantismo tenha se dado no período compreendido entre 1527 e 1534. De formação católica tradicional, deve ter tido contato com as idéias evangélicas, talvez através dos escritos de Lutero, que foram escritos na década de 20, e teve contato com humanistas franceses evangélicos, como Jacques Lefèvre, Farel, e um seu primo Robert Olívetan, em cujo Novo Testamento Francês ( 1535 ), Calvino escreveu um prefácio intitulado "A todos os que amam a Jesus Cristo e Seu evangelho". 

Em 1555, Calvino recordou sua "súbita conversão" segundo alguns, escrevendo sobre ela no prefácio do seu "Comentários Sobre Os Salmos", onde declara que "Deus mudou meu coração", e seu desejo de viver em reclusão para seus estudos, "em paz em algum canto desconhecido". 

A vocação de Calvino. 

Em 1533, no Dia de Todos os Santos, Calvino se envolve, como autor ou co-autor, do discurso proferido pôr Nicholas Cop, médico, amigo de Calvino e Reitor da Universidade de Paris, onde declara públicamente Cristo como único mediador de Deus. O seu discurso revela simpatias com Lutero, e a Sorbonne o repele, convocando o Parlamento. Copp foge para a Basiléia. 

Calvino tem sua casa vasculhada e seus livros apreendidos. Disfarçado de agricultor foge para Angoulême, onde o cônego da catedral. Luis Tillet, concede-lhe asilo e põe à sua disposição a biblioteca, onde provavelmente, Calvino começou a escrever sua primeira edição das Institutas. Daí vai para Nerac na Gascônia, visita Noyon sua terra natal, voltando a Paris. 

A investida contra os "hereges" na França, devido ao surgimento dos "Cartazes", em 18 de outubro de 1534, um ataque à missa e seus adornos, faz com que Calvino deixe o país apressadamente e encontre refúgio na cidade reformada de Basiléia, onde vem a publicar a primeira edição das Institutas, através do editor Thomas Platter, em março de 1536, com o título "O Ensino Básico da Religião...". 

No verão de 1536, Calvino, seu irmão Antoine e sua meia-irmã Marie viajavam para Estrasburgo, onde esperava estabelecer-se, para seu antigo desejo de descanso e estudo. Mas a movimentação de tropas leais a Francisco I e Carlos V, desviam a sua trajetória para Genebra. 

Foi abordado por Farel, que havia levado a cidade a abraçar a Reforma, numa assembléia pública, em 25 de maio de 1536, votando unanimente por "Viver de agora em diante de acordo com a lei do evangelho e com a Palavra de Deus e abolir todos os abusos papais". Farel, o demove de seus intentos, lhe implorando que ficasse em Genebra, dizendo que Deus o castigaria por sua fuga comodista à convocação divina; já que o único desejo de Calvino, era chegar a Estrasburgo, onde fixaria residência, dedicando-se aos estudos. 

Em Genebra, redigiu um manual de doutrina cristã para a Igreja de Genebra, assumindo diversas tarefas ao longo dos anos, confirma-se a sua vocação básica de pastor e de mestre. Em 20 de julho de 1537, o Senado e o povo de Genebra, solenemente declaram sua aceitação das principais doutrinas e disciplinas da religião cristã. Quanto a aceitação do catecismo e da confissão de fé, não houve subscrição individual satisfatória. 

O concílio de Genebra percebeu certos desacertos nas medidas tomadas, e resolveu afouxar as exigências, tomando a si posteriormente, a jurisdição da comuna em assuntos morais e religiosos, o que contrariava as idéias de Calvino, que sempre julgou o poder civil incapaz de resolver assuntos morais e religiosos, os quais deviam caber à Igreja, por suas autoridades ou consistórios, como mais tarde se veio a fazer.

Em abril de 1538, Calvino e Farel foram expulsos de Genebra. Após uma breve estada em Basiléia, Calvino se dirige para Estrasburgo, como no início desejava. 

Calvino passou três anos em Estrasburgo, tendo sido convidado insistentemente, por Martin Bucer para assumir o pastorado dos refugiados franceses. Este se torna seu protetor e amigo nesta cidade, sendo grande intelectual, personalidade de alto porte, um teólogo, um espírito equilibrado, de disposição pacífica e moderada. 

Em Estrasburgo, Calvino teve oportunidade de conviver com outras personalidades e reformadores notáveis, tais como Hédio, Niger, Capito e Sturm. Lecionava, pregava em dois ou três pontos diferentes, organizando igrejas, formulando a ordem do culto, da celebração da Santa Ceia, batizados, casamentos. Cuidou do cântico da igreja, metrificou alguns Salmos, bem como o cântico de Simeão e o decálogo. 

Em Estrasburgo, Calvino publicou um tratato sobre a Santa Ceia, alicerçando a sua doutrina do sacramento de maneira sólida nas Escrituras, diferentemente de Zwinglio e Lutero. O trabalho de Calvino, vem a se evidenciar porque era pastor, professor, escritor e estadista da Igreja. 

É nesta cidade que Calvino vem a contrair núpcias com Idalete de Buren, viúva de um anabatista convertidapela instrumentalidade de Calvino, em 14 de agosto de 1540, tendo a benção sido dada por seu amigo Farel. A vida matrimonial de Calvino tem curta duração, entretanto feliz e cheia de ternura, a despeito dos sofrimentos do casal. O único filho do casal morreria logo após o nascimento, e Idalete, em março de 1549, também vem a falecer vitimada pela tuberculoso. A dedicada e afetuosa companheira de Calvino, é lembrada por ele como : "Fiel companheira de minha vida, fiel ajudadora de meu ministério". 

Outra vez, Calvino foi convidado a retornar a Genebra, sem Farel. Inicialmente recusou-se, porque deseja levar a sua vida bucólica, estudando e desenvolvendo seus escritos, longe dos transtornos. Seu protetor, Martin Bucer, levanta o tema do julgamento divino - "se você recusar a retomar seu ministério, estará agindo como Jonas, que tentou fugir de Deus!!!". 

Retorna a Genebra em 13 de setembro de 1541, onde realizou dois atos oficiais. Um foi apresentar ao conselho da cidade um plano detalhado para a ordem e o governo da Igreja. As "Ordenanças Eclesiásticas" exigiam o estabelecimento de quatro oficios, a saber - pastor, doutor, ancião e diácono, que correspondiam a doutrina, educação, disciplina e serviço social. Aprovado o plano, Calvino passou o resto de sua vida tentando executá-lo. O segundo ato, foi a subida ao púlpito da Catedral de São Pedro, onde começou de onde tinha parado antes, no mesmo versículo, capítulo e livro da Bíblia. 

Em Genebra, Calvino tem a oportunidade de fundar a sua Academia a 5 de março de 1559, onde adota um programa de ensino unificado - primário, secundário e universitário. Quando morreu, a Academia contava com 1200 alunos universitários, além de 300 alunos nos cursos inferiores. Ele tinha como ideal preparar líderes para a Igreja, a sociedade civil e para o governo civil. 

Em 25 de dezembro de 1559, Calvino é convidado ao concílio da cidade de Genebra, para aí receber o título de cidadão da cidade, que passa a ser conhecida como a cidade de Calvino. 

Calvino vem a falecer em 27 de maio de 1564, desde seus dias de estudante, fora frágil e com frequência estava doente. 

A OBRA LITERÁRIA DE CALVINO 

Existem seis grandes obras de Calvino, que não podem deixar de ser consultadas para um estudo completo da teologia de Calvino. 

1 - As Institutas

É a principal obra de Calvino. A primeira edição em 1536, consistiam em seis capítulos. A edição de Estrasburgo, em 1539, foi ampliada. Ao todo, Calvino produziu oito edições do texto latino e cinco traduções para o francês. A edição de 1539, é aquela que o satisfaz, é uma obra imensa, aproximadamente do tamanho do Velho Testamento mais os evangelhos sinóticos. , organizada em quatro volumes, assim distribuídos : 

Volume I : 
O Conhecimento de Deus, O Criador; O conhecimento duplo de Deus; Escrituras; Trindade; Criação; Providência; 

Volume II : 
O Conhecimento de Deus, O Redentor; A queda, a pecaminosidade humana; A Lei; O Antigo e o Novo Testamentos; Cristo, o Mediador : Sua Pessoa ( Profeta, Sacerdote e Rei ) e obra ( expiação ); 

Volume III : 
O Método Pelo Qual Recebemos a Graça da Cristo, Seus Benefícios e Seus feitos; Fé e Regeneração; Arrependimento; Vida Cristã; Justificação; Predestinação; A Ressurreição Final; 

Volume IV : 
Os Meios Externos Pelos Quais Deus Convida-nos à Sociedade de Cristo; A Igreja; Sacramentos; Governo Civil. 

2 - Comentários. 
Como complemento às Institutas, Calvino reportava os leitores a seus comentários bíblicos. Calvino produziu comentários sobre todo o Novo Testamento, excetuando-se 2 e 3 João e Apocaplipses, sobre o Pentateuco, Josué, Salmos e Isaías. Os comentários de Calvino sobre o Velho Testamento, perfazendo um total de 45 volumes na tradução inglesa do século XIX. 

3 - Sermões. 
Calvino foi um pregador e mestre, em uma época em que o púlpito era o principal meio de comunicação para uma cultura inteira. Alguns sermões foram publicados durante toda a vida , outros permanecendo na forma de manuscrito até hoje. 

4 -Folhetos e Tratados. 
Alguns destes folhetos eram dirigidos contra oponentes teológicos, como os reformadores radicais os católicos romanos; os católicos romanos e os luteranos. 

5 - Cartas. 
Calvino foi corresponde de várias pessoas, reformadores, reis e príncipes, igrejas, pastores e mártires. As cartas de Calvino o revelam como teólogo contextualizado, atento às correntes políticas e sociais de sua época, quanto a assuntos religiosos específicos. O alcance internacional da teologia de Calvino e a extensào de sua influência pessoal podem ser captados observando-se suas cartas. 

6 - Escritos litúrgicos e catequéticos. 
Como pastor, versificou textos em francês para a igreja em Estrasburgo e Genebra. Ele era consciente de que a única forma de recuperar a vida moral e religiosa do povo era instruindo-o na "escola da fé". Elaborou uma confissão de fé e um catecismo para complementar a obra "A Forma das Orações" em 1542. 

BIBLIOGRAFIA.

1 - "Teologia dos Reformadores"; Timothy George; Ed. Vida Nova; S.P. 1994. 
2 - "Calvino - Vida, Influência e Teologia"; Wilson Castro Ferreira; Ed. "Luz Para O Caminho"; S.P. 1985.

Continue lendo...

HUDSON TAYLOR


Introdução

James Hudson Taylor, nasceu em 1832, na cidade de Barnsley, em Yorkshire, na Inglaterra. Era de família metodista, e recebeu muita influência espiritual de seus pais e avós, bem como seus irmãos William e Amélia. Seu pai, um farmacista, sempre teve preocupação com a condição espiritual da China, e sempre que tinha oportunidade, realizava reuniões especiais para discutir como poderia ajudar aquele tão grande país.
Quando Hudson tinha apenas cinco anos, ele disse ao seu pai: “Quando eu crescer serei um missionário na China”. Apesar desta afirmação, os anos de adolescência de Hudson foram conturbados, e as influências de amigos não lhe ajudaram. Porém, sua mãe e irmã não cessavam de interceder por ele.

Conversão e chamada

Em junho de 1849, aos dezessete anos, ao ler um folheto escrito pelo seu pai acerca da obra de Cristo, Hudson compreendeu o plano da salvação, e como resultado, entregou sua vida a Jesus. Neste mesmo ano, sentiu a chamada do Senhor para trabalhar como missionário na China. Ao dizer sim à chamada, começou a se preparar em todos os aspectos de sua vida, a fim de atingir o objetivo de evangelizar a China. Logo começou a aprender o Mandarim através de uma cópia do Evangelho de Lucas. Hudson também soube da grande necessidade de médicos na China, e assim começou a estudar medicina, a fim de estar preparado para o campo em que iria trabalhar.

Seu treinamento médico começou na cidade de Hull e continuou em Londres. Além disso, estudou Teologia, Latim e Grego. Por saber que deveria depender totalmente de Deus para o seu sustento diário na China, Hudson muitas vezes colocava-se em situações para provar sua própria fidelidade e confiança em Deus. Enquanto estava em Hull, vivia basicamente se alimentando de aveia e arroz, e grande parte do seu salário ofertava para a obra do Senhor. Um certo dia, quando evangelizava os pobres, um certo homem lhe pediu que fosse orar por sua esposa que estava morrendo em casa. Ao chegar ali, viu uma casa cheia de crianças passando fome, e a mãe que estava muito enferma. Compadecido daquela situação, depois de orar, tirou do seu bolso a única moeda que tinha, o sustento da semana, e ofereceu ao casal. Milagrosamente, naquele mesmo dia, alguém lhe procurou e trouxe um envelope cheio de dinheiro. Esta experiência ensinou a Hudson Taylor que Deus era o seu provedor.

Partida para China

No dia 19 de setembro de 1853, com 21 anos, e associado à Sociedade de Evangelização Chinesa, Hudson Taylor partiu para a China a bordo do navio de carga chamado Dumfries. Após seis longos meses de viagem com intempéries e perigos de morte, ele chega finalmente em Xangai. Ao juntar-se com outros missionários ingleses, residentes daquela mesma cidade, Hudson notou a grande deficiência da evangelização no interior do país. Nesta época, a China estava passando por momentos tumultuosos, e Xangai havia sido tomada por rebeldes. Por isso, todos os missionários estavam nas cidades da costa, e envolvidos mais com o comércio e a política externa, do que verdadeiramente com a evangelização da nação.

Ponderando tudo isso em seu coração, Hudson decidiu que haveria de trabalhar no interior da China, onde o evangelho não tinha sido levado. Assim, ele começou o seu trabalho distribuindo literatura e porções bíblicas para as vilas ao redor de Xangai, sendo uma delas Sungkiang. Ao estar no meio do povo, ele notou como as pessoas o olhavam diferente por causa de sua roupa ocidental. Sendo assim, ele decidiu adotar os costumes da terra, vestindo-se como um chinês, deixando seu cabelo crescer e fazendo uma trança, como os outros chineses. Este ato conquistou o respeito de muitos chineses, porém, para os missionários ocidentais, uma falta de senso.

Em 1856, Hudson começou a trabalhar na cidade proeminente de Ningpo. Ali, se casou em janeiro de 1858 com a senhorita Maria J. Dyer, filha de missionários, porém orfã, que trabalhava numa escola para meninas. Um ano depois, Hudson assumiu a direção da Missão Hospitalar de Londres em Ningpo. Não só Deus o prosperou, como muitos dos doentes aceitaram a Jesus e se recuperaram de suas enfermidades. Ele começou a orar por mais missionários para o país.

Volta à Iglaterra

Depois de estar sete anos na China, Hudson regressou à Inglaterra por motivos de saúde. Ao partir em 1860 para a Inglaterra, não imaginava que estaria seis anos longe do campo. Apesar da distância, o seu coração estava ligado à China. De frente a um mapa da nação, todos os dias ele orava, pedindo que Deus enviasse pessoas dispostas a ganhar as almas chinesas. Juntamente com o Sr. F. Gough, Hudson fez a revisão do Novo Testamento para o chinês e escreveu vários artigos sobre as missões na China. 

Os anos de provação

Ao recrutar alguns missionários, Taylor viu a necessidade de ter uma missão que suportasse e direcionasse esses novos missionários no interior da China. Para este fim, é que a “Missão para o Interior da China” foi fundada. Durante o tempo que esteve na Inglaterra, enviou cinco obreiros para a China, e em 1864, Hudson pediu a Deus 24 missionários, dois para cada província já evangelizada no interior e dois para a Mongólia. Deus assim cumpriu o seu desejo, e em 26 de maio de 1866, Hudson e Maria, seus quatro filhos e os 24 missionários estavam embarcando no navio Lammermuir em direção à China.

Estabelecidos em Ningpo e em Hangchow, o trabalho missionário começou a se expandir para o sul da província de Chekiang. Dez anos depois, o norte de Kiangsu, o oeste de Anhwei e o sudeste de Kiangsi tinham sido alcançados.

Em um período de três anos, Hudson sofreu a perda de sua filha mais velha Gracie, seu filho Samuel, seu filho recém-nascido, e em julho de 1870, sua esposa também morre de cólera. Mesmo passando por este vale, Hudson Taylor não desistiu de sua chamada para a grande China.
Novos horizontes

Em 1871, quando voltava para visitar o restante de seus filhos que haviam sido enviados à Inglaterra, Taylor teve a oportunidade de viajar com uma grande amiga e missionária na China, Jennie Faulding, com a qual se casou em 1872 na Inglaterra. Entre 1876 e 1878 muitos outros missionários vieram dar o seu apoio no campo, vindos de todas as partes do mundo. Hudson esteve por alguns meses acometido de uma enfermidade na coluna, a qual o paralisou, porém, ainda na cama, ele conseguiu enviar dezoito novos missionários para a China. Milagrosamente, depois de muitas orações, Deus o curou e ele voltou a caminhar com saúde completa.

Em 1882, Hudson orou ao Senhor por 70 missionários, e fielmente Deus proveu os missionários e o suporte para cada um deles. Em 1886, Hudson toma outro passo de fé, e pede ao Senhor 100 missionários. Milagrosamente, 600 candidatos se escreveram vindos da Inglaterra, da Escócia e da Irlanda, se prontificando para o trabalho. Em novembro de 1887, Hudson anuncia alegremente a partida dos cem missionários para a China.

O trabalho da Missão se espalhou por todo o interior do país, segundo o desejo de Hudson Taylor, e no final do século, metade de todos os missionários evangélicos do país estavam ligados à Missão.
Em outubro de 1888, depois de haver visitado os Estados Unidos e Canadá, Hudson parte mais uma vez em direção à China, acompanhado de sua esposa e mais 14 missionários. Durante os próximos quinze anos, Hudson dispendeu o seu tempo visitando a América, Europa e Oceania, recrutando missionários para China. O desafio agora não era apenas de cem, mas de mil missionários.

Sua última viagem

Em abril de 1905, com 73 anos, Hudson Taylor faz a sua última viagem à China. Sua esposa Jennie havia falecido, e ele tinha passado o inverno na Suécia. Seu filho Howard, que era médico, juntamente com sua esposa, decidiram acompanhar Hudson nesta viagem. Ao chegar em Xangai, ele visita o cemitério de Yangchow, onde sua esposa Maria e quatro de seus filhos foram sepultados, durante o seu trabalho naquele grande país. Após haver percorrido todos as missões estabelecidas pela sua pessoa, Hudson Taylor, estabelecido agora na cidade de Changsa, deitou-se numa tarde de 1905 para descansar, e deste sono acordou nas mansões celestiais.
A voz que cinquenta e dois anos atrás havia dito a Hudson Taylor: “Vai à China”, agora estava dizendo: “Bem está, servo bom e fiel. Sobre o pouco fostes fiel, sobre muito te colocarei; ENTRA NO GOZO DO TEU SENHOR!”

Continue lendo...

GUNNAR VINGREN


Introdução

Nasceu no dia 8 de agosto de 1897, na cidade de Ostra Husby, Suécia. Seu pai era jardineiro, profissão que Vingren seguiu até os 19 anos. Foi criado num genuíno lar cristão. Logo aos 18 anos tornou-se sucessor de seu pai na Escola Dominical; naquele mesmo ano, o Senhor falou claro ao seu coração de que ele seria um missionário.

Seu preparo

Em 1898, Vingren teve oportunidade de participar de uma Escola Bíblica; ao final daquele mês de estudos, começou já o trabalho missionário no interior de seu país. Em 1903, viajou para os Estados Unidos, e logo ingressou num Seminário Teológico Batista em Chicago. Em 1909, Deus o encheu de uma grande sede de buscar o batismo no Espírito Santo o que não tardou a receber. Ao pregar esta verdade à igreja que pastoreava, começaram os problemas; a igreja se dividiu entre os que criam e os que não criam em sua pregação. Dirigiu-se, então, para South Bend, Indiana, onde a igreja recebeu com gozo as Boas Novas e se tornou uma igreja pentecostal com 20 batizados no Espírito Santo no primeiro verão.

Sua chamada para o Brasil

Numa reunião de oração, um dos irmãos presentes foi revelado que Gunnar Vingren serviria ao Senhor no Pará, que mais tarde ele descobriu que era um estado no norte do Brasil. Numa outra reunião como aquela, seu futuro companheiro, Daniel Berg, que conhecera numa conferência em Chicago, foi chamado para acompanhá-lo ao Brasil. Depois disto, não demorou muito para que a ida ao campo se tornasse uma realidade. Seus últimos dias na América foram de provas, atestando de que Deus é quem os chamava para a obra. Finalmente, partiram do porto de Nova Iorque com destino a Belém do Pará no dia 5 de novembro de 1910.

Adaptação ao campo

No dia 19 de novembro desembarcaram em terras brasileiras. Com certa dificuldade, sobretudo porque não falavam a língua nativa, chegaram até a casa de um pastor batista que lhes ofereceu hospedagem, um corredor escuro no porão da casa e sem janelas. Para aprenderem o português, Daniel trabalhava numa fundição durante o dia, enquanto Gunnar estudava, e à noite, então, ele compartilhava o que tinha aprendido. Apesarda pobreza, da simplicidade da alimentação, das doenças, calor e mosquitos, a chama do Evangelho os enchiam cada vez mais de gozo, atenuando assim o sofrimento.
Primeira Assembléia de Deus

Depois de seis meses, Vingren foi convidado para dirigir um culto de oração. Sem receio, ensinou-os acerca das operações do Espírito Santo e da cura divina. Durante aquela semana,nas reuniões de oração nos lares, o Senhor curou a senhora Celina Albuquerque de uma doença incurável e dias depois a batizou com Espírito Santo e com fogo, sendo então a primeira pessoa brasileira a receber a promessa. Na semana seguinte, o pastor da igreja entrou de surpresa num daqueles cultos; depois de declarar várias acusações, insinuando que eles ensinavam falsas doutrinas, provocou uma divisão na igreja que findou na exclusão dos missionários e mais dezoito membros que os apoiaram testificando a verdade. Então, em 18 de junho de 1911 estes formaram a primeira Assembléia de Deus.
Avanço da obra

O trabalho missionário não se reteve, avançando de cidade em cidade, onde o Evangelho era pregado e os sinais os seguiam. Sofriam muitas perseguições, sobretudo pelos católicos que eram ensinados que a Bíblia dos protestantes era falsa e se lida os levaria ao inferno; que Maria e os santos são intercessores junto a Jesus; que aqueles que não seguissem o catolicismo iriam para o inferno, e outros. Apesar das dificuldades, onde passavam, o Senhor curava, salvava, batizava com o Espírito Santo e manifestava seu poder por seus dons, sinais e maravilhas. Desta forma, a quantidade de crentes crescia a cada dia. Contemplavam, também, o fim daqueles que se levantavam contra a obra, pois era o próprio Deus quem lhes dava a recompensa. Nos primeiros quatro anos de trabalho foram 384 pessoas batizadas nas águas e 276 no Espírito Santo, na igreja de Belém do Pará.

Depois de cinco anos em terras brasileiras, Vingren foi à Suécia, onde por três meses pôde compartilhar as maravilhas que Deus operara no Brasil. Pouco antes de seu regresso, encontrou-se com uma irmã enfermeira chamada Frida Strandberg que também tinha chamada para o Brasil. Mais tarde eles se casaram em Belém do Pará.

No desejo de que todo o Brasil recebesse a mensagem, foram enviados missionários a Alagoas, Pernambuco, e ele com sua família foram para o sul, iniciando no Rio de Janeiro, depois Santa Catarina e outras cidades no estado de São Paulo. Após outra série de viagens, voltou alguns anos depois para residir permanentemente no Rio de Janeiro. Assim como no Pará, a obra pentecostal no Rio de Janeiro crescia exponencialmente. Vingren participava ali na edição do jornal “Mensageiros da Paz”, além de seu trabalho como pastor e evangelista.

De 5 à 10 de setembro de 1930 houve uma importante Conferência Nacional dos obreiros pentecostais em Natal. A principal decisão foi de que a obra missionária na região norte estaria sendo dirigida exclusivamente por obreiros nacionais. Os anos seguintes foram de grande expansão da obra, sobretudo no Rio de Janeiro.

No dia 15 de agosto de 1932, o pastor Gunnar Vingren e sua família despediam-se da igreja do Rio de Janeiro e do Brasil de volta à Suécia.
Seus últimos dias

Já nos últimos anos que viveu no Brasil, Gunnar Vingren vinha tendo alguns problemas de saúde que pioraram bastante depois de chegar à Suécia. No dia 29 de junho de 1933 ele entrou no descanso eterno, mostrando através de suas palavras, o grande amor que tinha pelos irmãos brasileiros. Sua partida, descrita detalhadamente numa carta enviada por sua esposa ao Brasil, foi uma linda experiência para a família, que sentia claramente a glória de Deus; e sem dúvida para o servo do Senhor, Gunnar Vingren que, sentindo grande gozo e alegria foi recebido na eternidade.

Continue lendo...

FANNY CROSBY

Cega desde criança, Fanny Crosby tornou-se a maior compositora de hinos sacros de toda a História. 

A vida da poetisa e compositora Fanny Jane Crosby (1820-1915) é tao impressionante quanto à qualidade e quantidade de seus hinos. Ao todo sao quase nove mil hinos que incentivam a mudança de vida de pecadores, encorajam cristaos e inspiram toda a humanidade até os dias de hoje. 

É difícil ficar passível diante da força das palavras do hino 15 do tradicional Cantor Cristao, cujo título é Exultaçao: A Deus demos glória, com grande fervor, Seu Filho bendito por nós todos deu A graça concede ao mais vil pecador, abrindo-lhe a porta de entrada no céus Exultai, exultai, vinde todos louvar a Jesus, Salvador, a Jesus redentor a Deus demos gloria, porquanto do céu, seu filho bendito, por nós todos deu!

A beleza e o poder contidos nesses versos surpreendem ainda mais por terem sido escritos por uma mulher que ficou cega com apenas seis semanas de vida. 

Sua vida foi a prova de que dificuldade alguma pode conter a unçao de Deus, nem mesmo tirar o prazer de um dos servos. 

Em outro de seus mais famosos e belos cânticos, intitulado Segurança, ela escreveu: Vivo feliz, pois sou de Jesus, e já desfruto o gozo da luz [...] Canta minha alma, canta ao Senhor, rende-lhe sempre ardente louvor.

Outra curiosidade na vida da maior autora de hinos da história da musica sacra é o fato de ela ter escrito seu primeiro cântico aos 44 anos.

Infecçao nos olhos - Nascida em 24 de março de 1820 no município de Putnam, em Nova Iorque, Fanny tinha pouco mais de um mês de vida quando sofreu uma infecçao nos olhos. O clínico geral estava fora da cidade e um outro médico fora chamado para tratar do caso. Receitou cataplasmas de mostarda quente e o efeito foi desastroso: a menina ficaria cega pelo resto da vida. O "médico" teve de fugir da cidade, tamanha a revolta suscitada entre os parentes e vizinhos do bebê.

Aos cinco anos, foi levada pela mae para consultar o melhor especialista no país, o Dr. Valentine Mott. Uma coleta feita entre os vizinhos pagou a viagem. O pai de Fanny já havia morrido e a situaçao financeira da família era muito difícil. O sacrifício, infelizmente, foi em vao, já que o médico decretou o caso como incurável.

A menina teve entao de acostumar-se as dificuldades, ao mesmo tempo em que demonstrava uma habilidade incomum para compor poesias.

Naquela época, a mensagem do Evangelho foi plantada no coraçao da jovem Fanny, por intermédio de sua avó. Era ela quem passava horas lendo Bíblia para a menina, que demonstrava ter uma memória extraordinária: decorou diversos trechos do Livro de Rute e dos Salmos. Aos 15 anos, ela entrou para o Instituto de Cegos de Nova Iorque, para onde voltaria anos depois para ensinar Inglês e História. Como aluna e professora, Fanny passou 35 anos na mesma escola.

Testemunho do fé - Em 1844, escreveu seu primeiro livro de poemas - A menina cega e outros poemas. Uma de suas primeiras participaçoes como compositora aconteceu em um dos cultos de Dwight L. Moody, um dos maiores pregadores da história do Evangelho, que realizava uma conferência na cidade de Northfield, no estado de Massachussetts. Impressionado com o talento de Fanny, Moody pediu que ela contasse o testemunho pessoal de sua fé e de seu relacionamento com Deus. Assustada, Fanny a princípio relutou, mas depois leu a letra de um hino que acabara de escrever: Eu o chamo de meu poema da alma. Ás vezes, quando eu estou preocupada, eu repito isto para mim mesma, e essas palavras trazem conforto ao meu coraçao, disse ela, antes de recitá-lo. O hino, é verdade, nao é citado em sua biografia, mas isso, de fato, pouco importa, já que poderia ser qualquer um daquelas centenas de cânticos que embalaram o avivamento americano no século 19, período que ficou conhecido como O Grande Despertamento. Naquela ocasiao, os momentos de apelo à conversao eram frequentemente inspirados por palavras como as do hino Mais perto da Tua cruz, composto por Fanny Crosby, em 1 868: Meu Senhor sou Teu / Tua voz ouvi, a chamar-me com amor [...] mais perto da Tua cruz leva-me, ó Senhor. Fanny era membro da Igreja Episcopal Metodista, de Nova Iorque. Ela era uma oradora devota e frequentemente preparava os cultos infantis da igreja.

Casamento - Em 1858, Fanny casou-se com o professor de música e cantor de concerto Alexander Van Alstyne. Nessa época, ela havia deixado o ensino para acompanhá-lo tocando piano e harpa em apresentaçoes públicas. Compôs diversas cançoes populares nesse período. Na mesma ocasiao, a vida trouxe-lhe urna das maiores afliçoes que uma pessoa pode enfrentar: a perda de um filho. A criança, seu único filho, morrera ainda pequena.

Em 1864, por influência do famoso evangelista, escritor e compositor William Bradbury, que tem dezenas de cançoes registradas nos hinários e cantores cristaos até hoje, Fanny passou a escrever exclusivamente musicas sacras. Apaixonada por crianças e motivada pela perda irreparável de seu filho, a compositora criou um estilo próprio: Achei que as crianças também tinham de entender as letras e as melodias teriam de ser simples também. Ela esforçou-se para retratar os temas do céu e o retorno de Cristo com palavras simples.

Ímpeto criativo - O número extraordinário de composiçoes da autora pode ser explicado nao só pelo ímpeto criativo de Fanny, mas também pelo fato de ela ter um contrato de trabalho com uma editora, a Biglow & Co., que a obrigava a entregar três composiçoes novas a cada semana. Ela chegou a compor sete cançoes em apenas um dia. Como de hábito, nao iniciava seu trabalho sem antes dedicar horas à oraçao.

Curiosamente, Fanny nao escrevia as letras de seus hinos, por nunca ter dominado o método Braille. Dona de uma memória extraordinária, memorizava-as facilmente. Quando morreu, aos 94 anos, amigos e parentes escreveram na lápide de sua sepultura: Ela fez o máximo que pôde. Sem dúvida, foi uma heroina da fé.

Fonte: Revista Graça, ano 2, n.º 25 – Agosto/2001 (Texto de Marcelo Dutra) www.ongrace.com

Continue lendo...

CHARLES WESLEY


A Palavra registrada nas partituras

Charles Wesley, que compôs mais de seis mil hinos, não só acompanhou seu irmão John Wesley nas cruzadas, como também é considerado o maior compositor do reavivamento Wesleyano

É certo que o talento não é hereditário, mas é fato que sempre existiram vários casos de irmãos que se tornaram famosos graças aos dons incomuns nas áreas mais variadas. Eles brilham na mesma época e até em profissões semelhantes. Na História da Igreja, uma dupla de irmãos, John e Charles Wesley, não fez por menos. Escolhidos por Deus para a missão de pregar Sua Palavra como evangelistas, eles fundaram o metodismo no século 18. Aquela semente deu frutos – atualmente (2002) os metodistas formam uma comunidade de, aproximadamente, 80 milhões de pessoas em todo o mundo, embora a maior parcela concentre-se nos Estados Unidos.

John Wesley tornou-se o mais famoso dos pregadores por falar e escrever com rara eloqüência. No entanto, Charles Wesley (1707-1788), seu irmão mais novo, não apenas deu suporte àquele ministério, apoiando e criticando John quando necessário, como também fez das partituras seu principal púlpito. Charles Wesley é considerado o grande compositor do reavivamento wesleyano: compôs mais de seis mil hinos, que eram cantados em cruzadas evangelísticas. Muitos deles causaram estranheza por terem influência dos ritmos populares, comuns nas tavernas e casas de ópera da Inglaterra.

Não foi à toa que, certa vez, alguém escreveu que, se George Whitefield ficou conhecido como o orador do metodismo, e John Wesley seu organizador, podia-se afirmar que Charles Wesley foi seu poeta.

Vida o obra

- O poeta Charles nasceu em 18 de dezembro de 1707, na cidade de Epworth, no condado de Lincolnshire, na Inglaterra. Filho de Samuel, reitor da Faculdade de Epworth, e de Susanna Wesley, Charles foi marcado por Deus para uma obra muito específica desde cedo. Tinha apenas um ano e três meses de vida quando o prédio da reitoria da faculdade foi totalmente destruído pelo fogo. Charles, assim como John, foi resgatado do verdadeiro inferno em que se transformou o edifício tomado pelas chamas.

Na adolescência, enquanto John estudava na Escola de Charterhouse, Charles foi estudar na Escola de Westminster, mesmo colégio do irmão Samuel. Lá, provou ser um excelente aluno. Criado sob rígida educação familiar evangélica, Charles fora ensinado a defender a justiça e, por isso, logo se envolveu em diversas causas na escola.

Não houve, entretanto, alguém que pudesse duvidar do impacto da experiência de sua conversão, em 1738, aos 31 anos. Sua vida espiritual logo se voltou para a compaixão pelos homens perdidos. Assim, pregou de improviso pela primeira vez na Igreja de Saint Antholin, em Bristol.

No ano seguinte, tornou-se publicamente defensor do ministério do grande pregador George Whitefield, que, embora tivesse grande impacto, era alvo de críticas ferozes em Londres e em Bristol. Charles Wesley juntou-se a Whitefield quando este falou a uma enorme multidão na cidade de Blackheath sob o título: "O que Satanás tem ganhado ao manter você fora das igrejas?" Charles Wesley repetiria o feito ao lado de seu irmão John, à frente de multidões nas vilas da região inglesa de Essex.

"Sua pregação era como um trovão e um relâmpago", diziam os primeiros metodistas a respeito da retórica de Charles Wesley. Mas sua força não estava apenas na pregação: sua música tornou-se, de fato, sua melhor ‘retórica’. Em 1739, a primeira seleção de seus hinos foi publicada e tornou-se logo muito popular.

Seus hinos

- Os hinos de Charles possuíam uma mensagem fundamentada na piedade cristã, própria para as reuniões devocionais e também para os grandes agrupamentos ao ar livre. Eles destacavam o fervor da fé e tornavam a mensagem inesquecível.

Suas composições eram inspiradas nas melodias seculares de Purcell e de Haendel e, embora destinadas a congregações, eram editadas como solos. Eram melodias populares ou adaptadas da música das óperas que abundavam na época. A contextualização da música dos hinos de Wesley chocou muitos elementos conservadores da Igreja, mas foi bem aceita pelo povo.

Seus hinos também eram fundamentados no lema da Reforma Protestante - Sola Scriptura (Só as Escrituras) - ou seja, enfatizavam que a Bíblia é a única regra de fé do cristão. Charles Wesley também escreveu hinos para combater a concepção calvinista da predestinação, como Redenção universal, e ainda chegou a pregar um sermão intitulado Graça gratuita.

Escreveu hinos para as grandes festas da igreja, como os conhecidíssimos Cantam anjos harmonias e Cristo já ressuscitou, aleluia. Preocupou-se também com um acervo de hinos para os sacramentos da igreja, como a Santa Ceia, e com a koinonia (a comunhão cristã), à época, principal base do crescimento da Igreja Metodista.

Paralelamente à música, Charles Wesley investiu todo o seu tempo para salvar os homens distantes de Deus. Charles, assim como seu irmão John, não deu importância nem mesmo às pressões eclesiásticas e viajou muito, especialmente para a Irlanda, a Escócia e o País de Gales. Ao lado do irmão, Charles pregou contra o consumo de bebidas alcoólicas, a guerra e a escravidão, e incentivou a medicina humanitária, a abertura de novas escolas e uma reforma penitenciária. Mesmo com a "agenda" tão cheia, Charles arrumou tempo para casar-se, em abril de 1749, com Sarah Gwynne. O casal se estabeleceu em Bristol, mas sempre que podia Sarah acompanhava Charles em suas excursões de pregação da Palavra.

Seus contemporâneos ficavam espantados ao ver seu ministério itinerante, que também incluiu os Estados Unidos, onde, em 1760, fundou com John as primeiras missões metodistas. Naquele tempo, o metodismo era um fenômeno.

Lição do vida

- Em 1771, depois de centenas de idas e vindas, Charles e Sarah, então, mudaram-se para Londres. O ministério de Charles continuou, embora mais voltado para o âmbito local. Em Londres, eles também puderam ver muito mais de perto o crescimento dos dois filhos, Charles e Samuel, músicos excepcionais que se tornaram "alvos" de muitos convites para concertos.

Em 1786, já com 79 anos, Charles Wesley, que já percorrera 365 mil quilômetros em seu ministério e havia participado de 46 mil cultos, cruzadas e reuniões evangelísticas, assumia novas responsabilidades na igreja. Foi ele quem enviou, naquele ano, os primeiros missionários metodistas para a Índia.

Quase dois anos depois, Charles Wesley faleceu. O dia 29 de março de 1788, data de sua morte, tornou-se, entretanto, apenas mais um fato dentro de uma história de vitórias e de milhares de hinos cantados até hoje. Ele também deixou para todos os cristãos uma lição de vida e amor ao Evangelho, além de uma marca pessoal indelével. Dizia-se dele: "Se houve um ser humano que repugnou o poder, a proeminência e encolhia-se ao elogio, esse foi Charles Wesley". Um verdadeiro herói da fé.

Fonte: Marcelo Dutra (Revista Graça ano 03 nº 35)

Continue lendo...

CHARLES THOMAS STUDD


Charles Thomas Studd (1860-1931) poderia ter sido mais um atleta que gastou seus dias em árduas competições e apenas isso. Entretanto, sua biografia demonstra que quando Deus toca o coração de alguém, seus rumos e planos são mudados dramaticamente, de uma maneira maravilhosa.

O inglês Charles Studd era considerado um dos maiores desportistas do final do século 19. Milionário, ele herdara da família a importância de 29 mil libras esterlinas, uma fortuna naquela época, mas se recusara a tirar proveito dela, temendo que o dinheiro pudesse atrapalhar seus nobres ideais. Determinado a investir na obra de Deus, enviou cinco mil libras esterlinas para o missionário James Hudson Taylor, que se tomou uma lenda ao ser o primeiro a levar a Palavra ao interior da China; outras cinco mil libras para um pastor, William Booth, fundador do Exército da Salvação; cinco mil para Dwight L. Moody, para que este iniciasse o estabelecimento do Instituto Bíblico Moody.

Studd doou ainda outras importâncias, sobrando-lhe apenas 3.400 libras, as quais ele, no dia do seu casamento, deu à esposa. Esta também doou o presente e comentou, na época: Jesus pediu ao jovem rico que desse tudo aos pobres. E Studd completou: Agora nos achamos na situação de poder dizer que não possuímos nem prata nem ouro, referindo-se ao texto de Atos 3.6. Loucura? Não. Charles Thomas Studd tinha a certeza de que o Senhor era o dono de todas as coisas. Essa demonstração de entrega total foi apenas o começo. Todavia, foi o suficiente para que o Senhor desse a Charles um novo rumo. Mais tarde, Ele o chamaria para o ministério.

Studd viajou para a China, onde trabalhou como missionário. Posteriormente, foi para a Índia e para o continente africano. Seu pensamento era: "Se Jesus é Deus e Ele morreu por mim, então nenhum sacrifício pode ser muito grande para nós". Como resultado de seus esforços, foi fundada, um pouco antes de sua morte, a Cruzada de Evangelização Mundial, que hoje conta com mais de mil missionários em todo o mundo. A mensagem deixada por Studd foi simples: enquanto a maioria investe em bens materiais, outros investem no Reino de Deus.
Família - Essas lições de Charles Studd foram aprendidas desde muito cedo. Ele era filho de um fazendeiro de origem indiana, Edward Studd, que se havia aposentado na Índia e mudado para uma casa rural no município de Tidworth, em Wiltshire, Inglaterra.

O pai de Studd, curiosamente, tinha-se convertido em 1877, quando um amigo o levou para ouvir uma pregação de Moody, o mesmo pastor que seria ajudado por seu filho, Charles Studd, anos mais tarde. Após a conversão, Edward, imediatamente, deixou as atividades seculares e passou a usar sua casa para reuniões evangelísticas até o dia de sua morte, em 1879.

Charles Studd e seus dois irmãos, Kynaston e George, estudavam longe de casa. Curiosamente, os três converteram-se a Cristo em um culto doméstico, e terminaram apaixonados pelo Evangelho. Os três irmãos eram campeões de críquete, um dos esportes mais tradicionais da Inglaterra. As habilidades excepcionais mostradas por Charles Studd naquele esporte fizeram com que ele ganhasse um lugar na seleção inglesa, em 1882, época em que a equipe havia perdido uma partida para a Austrália e estava desacreditada. Sob a liderança de Charles Studd, os ingleses jogaram na Austrália, no ano seguinte, e recuperaram o troféu.

Tempo de confrontação

- Dois anos após a conquista do campeonato, no entanto, com a doença e morte de George, Charles Studd sentiu-se confrontado pela seguinte pergunta: De que adiantam toda a fama e valor de lisonja quando um homem tem de enfrentar a eternidade? Ele percebeu, então, que sua conversão, ocorrida seis anos antes, não havia produzido frutos. Resoluto, ele declarou: O críquete não vai durar; a honra também não, bem como nada neste mundo. Mas tenho que viver para o mundo que há de vir.

A partir de então, Charles começou a testemunhar de Jesus aos amigos e jogadores da mesma equipe. Sua intenção era captar recursos para o ministério de seu irmão, Kynaston, que tinha fundado uma organização missionária entre estudantes. Logo, ele teve a alegria de conduzir outros a Deus.

Até aquele momento, Studd testemunhara entre os próprios sócios e amigos. Contudo, depois de ouvir, na China, uma pregação na qual um missionário falara da necessidade de os servos de Deus agirem como pescadores de almas, tudo mudou. Ele sentiu que Deus o estava chamando. Embora seus amigos e parentes tentassem dissuadi-lo, Charles começou a considerar a pregação que ouvira e marcou uma reunião com o Pr. James Hudson Taylor, o diretor da missão no interior da China.

Rumo à China

- A decisão de Studd foi seguida por mais seis amigos dele. Ao mesmo tempo em que o grupo se preparava, uma onda de conversões ocorria entre os estudantes das maiores Universidades da Grã-Bretanha, graças à missão fundada por Kynaston, anos antes. Alunos de Edimburgo, Londres, Oxford e Cambridge entregavam-se ao Senhor como jamais ocorrera antes. Eles se transformariam, anos depois, nos missionários que difundiriam a Palavra de Deus pelo mundo. Em pouco menos de dois meses, Studd e alguns amigos já estavam prontos para a viagem à China.

Lá, Charles Studd passou dez anos. Quando, finalmente, retomou à Inglaterra, ele foi convidado a visitar a América, onde Kynaston havia organizado um movimento evangelístico entre os estudantes locais. Durante aquela excursão, ele testemunhou o derramar de bênçãos poderosas em muitas faculdades e igrejas. Aquilo mexeu tanto com Studd, que ele iniciaria uma seqüência de viagens missionárias impressionante.

Missões na Índia e na África - De 1900 a 1906, Studd pastoreou uma igreja em Ootacamund, no Sul da Índia. Naquela região, diversos funcionários britânicos se converteram a Cristo. Depois de um rápido retomo à Inglaterra, ele partiu, em 1910, para o Sudão, na África. Studd ficara impressionado com o fato de a Palavra ser quase totalmente desconhecida na África Central, e lá fundou uma missão, a Heart of Africa Mission (Missão Coração da África).

Em sua primeira viagem ao Congo Belga*, em 1913, ele estabeleceu quatro missões em uma área habitada por oito tribos diferentes. A partir dali, Charles começaria a viajar sozinho — sua esposa ficara doente. Entretanto, o trabalho do Senhor e o chamado da família não mudaram. De sua casa, na Inglaterra, ela e as quatro filhas do casal coordenavam o ministério de Studd. Sua esposa era a responsável por missões em diversos países da África, do Oriente Médio e da China.

Ela fez uma última visita ao Congo em 1928, reviu o marido e faleceu pouco tempo depois. Em 1931, aos 70 anos, Charles Thomas Studd morreu, entretanto, até os seus últimos dias, ele pregou a salvação pela fé em Jesus Cristo, no campo missionário, em Málaga, na África. Foi, de fato, um gigante. Um herói da fé.

* (Até 1971, este país tinha o nome de Congo Belga. Depois, Mobuto Sese Seko o batizou com o nome de Zaire. Em 1997, passou a se chamar República Democrática do congo)

Autor: Marcelo Dutra

Continue lendo...

CHARLES HADDON SPURGEON


Um dos maiores pregadores de todos os tempos

Houve época em que o simples fato de optar pela religiao evangélica equivalia a colocar a cabeça a prêmio. No século 15, Carlos V, o imperador espanhol, queimou milhares de evangélicos em praça pública. Seu filho, Filipe II, vangloriava-se de ter eliminado dos países baixos da Europa cerca de 18 mil "hereges protestantes". Para fugir da perseguiçao implacável, outros milhares de cristaos foram para a Inglaterra. Dentre eles, estava a família de Charles Haddon Spurgeon (1834-1892), o homem que se tornaria um dos maiores pregadores de todo o Reino Unido. Charles obteve tao bom resultado em seu ministério evangelístico que, além de influenciar geraçoes de pastores e missionários com seus sermoes e livros, até hoje é chamado de Príncipe dos pregadores.

O maior dos pecadores

- Spurgeon era filho e neto de pastores que haviam fugido da perseguiçao. No entanto, somente aos 15 anos, ocorreu seu verdadeiro encontro com Jesus. Segundo os livros que contam a história de sua vida, Spurgeon orou, durante seis meses, para que, "se houvesse um Deus", Este pudesse falar-lhe ao coraçao, uma vez que se sentia o maior dos pecadores. Spurgeon visitou diversas igrejas sem, contudo, tomar uma decisao por Cristo.

Certa noite, porém, uma tempestade de neve impediu que o pastor de uma igreja local pudesse assumir o púlpito. Um dos membros da congregaçao - um humilde sapateiro - tomou a palavra e pregou de maneira bem simples uma mensagem com base em Isaías 45.22a: Olhai para mim e sereis salvos, vós todos os termos da terra. Desprovido de qualquer experiência, o pregador repetiu o versículo várias vezes antes de direcionar o apelo final. Spurgeon nao conteve as lágrimas, tamanho o impacto causado pela Palavra de Deus.

Início de uma nova caminhada - Após a conversao, Spurgeon começou a distribuir folhetos nas ruas e a ensinar a Bíblia na escola dominical para crianças em Newmarkete Cambridge. Embora fosse jovem, Spurgeon tinha rara habilidade no manejo da Palavra e demonstrava possuir algumas características fundamentais para um pregador do Evangelho. Suas pregaçoes eram tao eletrizantes e intensas que, dois anos depois de seu primeiro sermao, Spurgeon, entao aos 20 anos, foi convidado a assumir o púlpito da Igreja Batista de Park Street Chapel, em Londres, antes pastoreada pelo teólogo John Gill. O desafio, entretanto, era imenso. Afinal, que chance de sucesso teria um menino criado no campo (Anteriormente, Spurgeon pastoreava uma pequena igreja em Waterbeach, distante da capital inglesa), diante do púlpito de uma igreja enorme que agonizava?

Localizada em uma área metropolitana, Park Street Chapel havia sido uma das maiores igrejas da Inglaterra. No entanto, naquele momento, o edifício, com 1.200 lugares, contava com uma platéia de pouco mais de cem pessoas. A última metade do século 19 foi um período muito difícil para as igrejas inglesas. Londres fora industrializada rapidamente, e as pessoas trabalhavam durante muitas horas. Nao havia tempo para as pessoas se dedicarem ao Senhor. No entanto, Spurgeon aceitou sem temor aquele desafio.

Tamanha audiência

- O sermao inaugural de Spurgeon, naquela enorme igreja, ocorreu em 18 de dezembro de 1853. Havia ali um grupo de fiéis que nunca cessou de rogar a Deus por um glorioso avivamento. No início, eu pregava somente a um punhado de ouvintes. Contudo, nao me esqueço da insistência das suas oraçoes. As vezes, parecia que eles rogavam até verem a presença de Jesus ali para abençoá-los. Assim desceu a bênçao, a casa começou a se encher de ouvintes e foram salvas dezenas de almas, lembrou Spurgeon alguns anos depois.

Nos anos que se seguiram, o templo, antes vazio, nao suportava a audiência, que chegou a dez mil pessoas, somada a assistência de todos os cultos da semana. O número de pessoas era tao grande que as ruas próximas à igreja se tomaram intransitáveis. Logo, as instalaçoes do templo ficaram inadequadas, e, por isso, foi construído o grande Tabernáculo Metropolitano, com capacidade para 12 mil ouvintes. Mesmo assim, de três em três meses, Spurgeon pedia às pessoas, que tivessem assistido aos cultos naquele período, que se ausentassem a fim de que outros pudessem estar no templo para conhecer a Palavra.

Muitas congregaçoes, um seminário e um orfanato foram estabelecidos. Com o passar do tempo, Charles Spurgeon se tornou uma celebridade mundial. Recebia convites para pregar em outras cidades da Inglaterra, bem como em outros países como França, Escócia, Irlanda, País de Gales e Holanda. Spurgeon levava as Boas Novas nao só para as reunioes ao ar livre, mas também aos maiores edifícios de 8 a 12 vezes por semana.

Segundo uma de suas biografias, o maior auditório em que pregou continha, exatamente, 23.654 pessoas: este imenso público lotou o Crystal Palace, de Londres, no dia 7 de outubro de 1857, para ouvi-lo pregar por mais de duas horas.

Sucesso

- Mais de cem anos depois de sua morte, muitos teólogos ainda tentam descobrir como Spurgeon obtinha tamanho sucesso. Uns o atribuem às suas ilustraçoes notáveis, a habilidade que possuía para surpreender a platéia e à forma com que encarava o sofrimento das pessoas. Entretanto, para o famoso teólogo americano Ernest W. Toucinho, autor de uma biografia sobre Spurgeon, os fatores que atraíam as multidoes eram estritamente espirituais: O poder do Espírito Santo, a pregaçao da doutrina sa, uma experiência de religioso de primeira-mao, paixao pelas almas, devoçao para a Bíblia e oraçao a Cristo, muita oraçao. Além disso, vale lembrar que todas as biografias, mesmo as mais conservadoras, narram as curas milagrosas feitas por Jesus nos cultos dirigidos pelo pregador inglês.

As pessoas que ouviam Spurgeon, naquela época, faziam consideraçoes sobre ele que deixariam qualquer evangélico orgulhoso. O jornal The Times publicou, certa ocasiao, a respeito do pastor inglês: Ele pôs velha verdade em vestido novo. Já o Daily Telegraph declarou que os segredos de Spurgeon eram o zelo, a seriedade e a coragem. Para o Daily Chronicle, Charles Spurgeon era indiferente à popularidade; um gênio, por comandar com maestria, uma audiência. O Pictorial World registrou o amor de Spurgeon pelas pessoas.

Importância

- O amor de Spurgeon tinha raízes. Casou-se em 20 de setembro de 1856 com Susannah Thompson e teve dois filhos, os gêmeos nao-idênticos Thomas e Charles. Fazíamos cultos domésticos sempre; quer hospedados em um rancho nas serras, quer em um suntuoso quarto de hotel na cidade. E a bendita presença do Espírito Santo, que muitos crentes dizem ser impossível alcançar, era para nós a atmosfera natural. Vivíamos e respirávamos nEle, relatou, certa vez, Susannah.

A importância de Charles Haddon Spurgeon como pregador só encontra parâmetros em seus trabalhos impressos. Spurgeon escreveu 135 livros durante 27 anos (1865-1892) e editou uma revista mensal denominada A Espada e a Espátula. Seus vários comentários bíblicos ainda sao muito lidos, dentre eles: O Tesouro de Davi (sobre o livro de Salmos), Manha e Noite (devocional) e Mateus - O Evangelho do Reino. Até o último dia de pastorado, Spurgeon batizou 14.692 pessoas. Na ocasiao em que ele morreu - 11 de fevereiro de 1892 -, seis mil pessoas leram diante de seu caixao o texto de Isaías 45.22a: Olhai para mim e sereis salvos, vós todos os termos da terra.

Texto: Marcelo Dutra
Fonte: Revista Graça, ano 2 nº 19 – Fevereiro/2001 www.ongrace.com

Continue lendo...